A Shakira entregou! Um retorno 40 vezes maior. - Resenha crítica - 12min Originals
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A Shakira entregou! Um retorno 40 vezes maior. - resenha crítica

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Este microbook é uma resenha crítica da obra: 

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ISBN: 

Editora: 12min

Resenha crítica

A onda que o pop feminino jogou no Rio

Tinha algo diferente no ar naquela noite em Copacabana. Não era só o calor típico do Rio, nem a multidão que tomou conta da orla desde o meio da tarde. Era uma sensação mais difícil de nomear... a de que dois milhões de pessoas tinham decidido, ao mesmo tempo, que música é uma forma de declaração.

A colombiana Shakira subiu ao palco montado em frente ao Copacabana Palace e abriu o show histórico no Rio vestindo as cores do Brasil. Falou em português, relembrou que chegou ao país aos dezoito anos sonhando em cantar para aquele público... e que acabou se apaixonando. A multidão respondeu com o tipo de grito que não precisa de tradução.

Três anos seguidos. Três mulheres. Três noites que transformaram maio, historicamente o mês mais morto do turismo carioca, em algo que a cidade aguarda com a mesma ansiedade de quem espera o Carnaval. Madonna em dois mil e vinte e quatro, Lady Gaga em dois mil e vinte e cinco, Shakira em dois mil e vinte e seis. O projeto "Todo Mundo no Rio" virou calendário, virou marca, virou estratégia de cidade.

E os números não deixam dúvida sobre o tamanho do que aconteceu.

Madonna movimentou trezentos milhões de reais na economia carioca. Lady Gaga chegou a seiscentos milhões. Shakira, segundo estimativa da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico em parceria com a Riotur, deve alcançar a marca de setecentos e setenta e seis milhões de reais, beirando os oitocentos milhões. Some tudo isso, e três shows gratuitos injetaram algo perto de um bilhão e setecentos milhões de reais na cidade... sem contar a mídia espontânea internacional, que os dois últimos eventos juntos já somavam cerca de quinhentos milhões de dólares em exposição global para o Rio.

Para contextualizar: a prefeitura investiu quinze milhões de reais no show da Shakira. O retorno estimado é de quase quarenta vezes esse valor em movimentação econômica direta. A Shakira entregou. Foi como plantar uma semente e colher uma floresta.

Mas o que tem de diferente nessa fórmula? Por que três mulheres, três shows de pop internacional, conseguem fazer o que décadas de campanhas de turismo não fizeram?

A resposta pode estar justamente em quem vai ao show.

O público do pop feminino tem um perfil específico. É diverso, é organizado, é fiel... e gasta. Turistas nacionais que vieram ao show da Shakira tinham gasto médio estimado de quinhentos e quarenta e sete reais por dia, com permanência média de três dias. Turistas internacionais chegavam a seiscentos e vinte e seis reais diários, ficando quatro dias. Não é o público que vai, assiste e vai embora. É o público que reserva hotel com antecedência, janta fora, compra na loja da esquina, paga tour na manhã seguinte.

A Shakira fez questão de marcar isso no palco. Em um dos momentos mais comentados da noite, parou o show e disse diretamente para a plateia: "Nós, mulheres, cada vez que caímos, nos levantamos mais sábias, mais fortes e mais resilientes. As mulheres já não choram. Por isso, esse show é para todas nós." A multidão respondeu com um barulho que a transmissão ao vivo da TV Globo dificilmente conseguiu capturar direito.

E por falar em transmissão... nem tudo foi perfeito.

As críticas vieram. Nas redes sociais, uma parte significativa do público reclamou da direção de câmera da transmissão ao vivo, que cortava os momentos mais intensos do show para mostrar imagens aéreas de drone ou reações da plateia. Houve quem reclamou do telão, que em edições anteriores havia funcionado melhor para quem estava longe do palco. As participações especiais também dividiram opiniões, com parte do público achando algumas performances desencaixadas do ritmo da noite. O show começou com quase uma hora de atraso, após um mal-estar do pai da cantora, informado pela equipe de produção momentos antes da entrada no palco.

Do lado de quem mora em Copacabana, a história é outra. Para os moradores do bairro, dois milhões de pessoas na porta de casa não é festa, é operação de sobrevivência. Ruas bloqueadas, barulho até a madrugada, lixo, dificuldade de locomoção. A prefeitura mobilizou equipes de limpeza urbana, mas a escala do evento é difícil de absorver sem transtorno. Esse lado raramente aparece nas manchetes, mas existe, e precisa ser considerado quando se pensa em repetir a fórmula até dois mil e vinte e oito.

Sobre segurança, os dados oficiais contam uma história que surpreende pela escala do evento. Mais de três mil e setecentos policiais foram mobilizados, com apoio de reconhecimento facial, drones, helicópteros, cavalaria e detectores de metais. O resultado: seis pessoas presas, três adolescentes apreendidos, cento e oitenta e cinco objetos perfurocortantes recolhidos, e a dispersão do público ao fim da noite descrita pela Polícia Militar como tranquila, sem grandes incidentes.

Para quem conhece o histórico de grandes eventos no Brasil, esse número chama atenção.

Em eventos pagos com público muito menor, o cenário costuma ser bem diferente. Em um festival de música realizado no Parque Olímpico, no Rio de Janeiro, com público que chegava a pagar trezentos reais pelo ingresso e uma fração do tamanho de Copacabana, o balanço da noite incluiu furtos em série, brigas constantes, filas de uma hora e meia para conseguir água, seguranças que não revistavam o público na entrada, e pelo menos sete pessoas que se uniram para abrir ação coletiva contra a organização. Uma frequentadora relatou ter o celular arrancado da mão no meio do show, enquanto outra teve a bolsa arrebentada durante uma confusão planejada para distrair as vítimas.

Dois milhões de pessoas em uma praia aberta, sem ingresso, em um evento gratuito... e menos incidentes do que um festival pago com dez por cento desse público. A comparação diz algo sobre a natureza do público que o pop feminino atrai. Não é ingenuidade achar que esse dado tem alguma relação com quem estava ali.

A semana do Dia das Mães chegou com esse pano de fundo. Milhões de mulheres, muitas delas mães, algumas acompanhadas dos filhos, outras chegando de outros estados e países, ocuparam Copacabana com uma presença que foi, ao mesmo tempo, política e musical. O poder de compra feminino moveu hotéis, restaurantes, ambulantes, transporte.

Isso não é marketing. É um dado.

O Rio apostou em um público específico e colheu dividendos em escala que nenhuma campanha publicitária teria gerado. A pergunta que fica, e que a prefeitura vai precisar responder nas próximas edições, é como equilibrar o crescimento desse calendário com a qualidade da experiência para quem vive na cidade o ano todo... e não só nos fins de semana de show.

Por enquanto, os números falam por si. E os quadris, como Shakira sempre soube, nunca mentem.

E agora? O que fazer com essa informação?

Se você é fã e esteve em Copacabana naquela noite, ou acompanhou de longe, aqui vai uma forma concreta de enxergar o que aconteceu além da emoção do momento.

Primeiro... entenda que presença é poder. Dois milhões de pessoas em um evento organizado, seguro e economicamente expressivo não acontece por acaso. Acontece porque um público específico, demonstrou que sabe ocupar espaço de forma coletiva e responsável. Isso tem peso político e econômico que vai muito além do setlist.

Segundo... observe o seu consumo como dado estratégico. Cada hotel reservado, cada jantar pago, cada produto comprado durante esses eventos compõe uma estatística que influencia decisões de investimento. Quando a prefeitura decide repetir a fórmula até dois mil e vinte e oito, está respondendo a um comportamento de consumo, não a uma preferência cultural abstrata. Saber disso muda a forma como você percebe sua própria presença nesses espaços.

Terceiro... use a comparação de segurança como referência. A diferença entre o que aconteceu em Copacabana e o que aconteceu em eventos pagos menores não é sorte. É fruto de planejamento, de um público que chegou para celebrar, e de um esquema de segurança proporcional à escala. Quando for a qualquer evento, grande ou pequeno, observe se esses elementos estão presentes. Exija organização. Seu dinheiro e seu tempo valem esse nível de cuidado.

Quarto... acompanhe o que vem a seguir. O "Todo Mundo no Rio" tem edições garantidas até dois mil e vinte e oito. Quem será a próxima artista? Quais cidades vão tentar replicar o modelo? O impacto acumulado de três anos já mudou a conversa sobre eventos culturais como política pública no Brasil. Isso afeta orçamentos municipais, decisões de turismo e até a valorização imobiliária de bairros próximos às orlas. É economia, não só entretenimento.

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